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terça-feira, 3 de maio de 2011

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 9 de abril de 2011

Primeiro e Depois.

Sentir primeiro, pensar depois.
Perdoar primeiro, julgar depois.

Amar primeiro, educar depois.
Esquecer primeiro, aprender depois.

Libertar primeiro, ensinar depois.
Alimentar primeiro, cantar depois.

Possuir primeiro, contemplar depois.
Agir primeiro, julgar depois.

Navegar primeiro, aportar depois.
Viver primeiro, morrer depois.

Mário Quintana