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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cuidado é essencial


Amor e respeito é a base para uma caminhada sadia entre duas pessoas; entre marido/mulher, entre amigos e entre líder/liderado. O surgimento de uma preocupação genuína é resultado de um processo sublime e simples: o cuidado. Como posso influenciar as pessoas com a minha alegria, com a minha espiritualidade, com minha criatividade, com a minha sabedoria se acima de tudo eu não tenho disposição ou até mesmo preocupação em cuidar das pessoas? Existem corações em ruínas e seres humanos em pedaços ainda a espera de cuidado, pois, expressar o amor verbalmente é fácil, ainda mais de forma “cantada”, como é feito em muitas das reuniões que participamos semanalmente; dizer que respeitamos é mais fácil ainda; olhamos o sofrimento dos outros de longe e achamos que esse silêncio e distanciamento é a tradução de respeito. Estão enganados os que pensam assim! Uma relação sadia e verdadeira entre marido/mulher, pai/filho, líder/liderado e amigo/amigo, é quando ela chega ao ponto mais sublime e inquestionável: o cuidado mútuo. As pessoas precisam de cuidado, os sentimentos precisam de cuidado, as amizades precisam ser cuidadas. Um líder precisa influenciar, sendo amoroso e agindo com respeito para com os seus liderados, refletindo sempre o cuidado. Muitos lideres fracassam quando o seu olhar sobre os seus liderados é macro; ele tenta amar a todos, ele tenta respeitar todos, ele tenta dar atenção a todos, ele tenta cuidar de todos. Quem ama, respeita e cuida de todos, não ama, nem respeita e nem cuida de ninguém. O olhar do líder deve ser micro, pessoal, único e próximo.
Fabiano R. da Silva

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Uma Nova Reforma

Os cinco Solas são os princípios fundamentais da reforma protestante: Sola Fide (somente a fé); Sola Scriptura (somente a escritura); Solus Christus (somente Cristo), Sola Gratia (somente a graça) e Soli Deo Gloria (Glória somente a Deus). Eles surgiram num momento de contradição com os ensinamentos e práticas da igreja católica há 494 anos.

As discrepâncias bíblicas estavam insuportáveis. Lutero conseguiu o apoio de religiosos e governantes daquela época. Publicou então suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, dividindo então a chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes.

Acabei de receber um e-mail onde um pastor/ministro/obreiro ou coisa parecida; o individuo estava tomando um banho de azeite, pra ser exato 12 litros de azeite. Chamaram esse momento de “unção de Arão”. Estão dizendo que é uma das maiores aberrações neopentecostais já divulgada.

As distorções bíblicas estão cada vez mais se aproximando do nosso povo, da nossa congregação. Vivemos dias em que manias/trejeitos/ palavras/gestos e atitudes neopentecostais estão ganhando espaço dentro de nossas igrejas; isso é terrível! São práticas sem fundamentos da Palavra, e que tem arrastado multidões para longe daquilo que são ensinamentos e princípios bíblicos deixados por Jesus.

Infelizmente, uma grande porta pra essas “ distorções teológicas” são as músicas utilizadas nos momentos de culto. Ouvi de um teólogo dias atrás que “shekinah” não é uma palavra bíblica. Como assim? Não quer dizer “a glória de Deus”? O pior é que ele tinha razão! Tem mais haver com a cabala do que com a bíblia. O pior é essa palavra está presente em muitas canções cantadas em muitas igrejas. Sem contar os inúmeros grupos de coreografia, “equipe de louvor” e conjuntos chamados shekinah.

Esse é apenas um exemplo daquilo de ruim que tem ganhado espaço dentro do “espaço cristão”. Será que já não está na hora de uma nova reforma? Até quando vamos suportar tanta besteira vinda de homens que se dizem “homens de Deus” e que se dizem agir em nome de Deus?

Existem duas saídas: 1ª Lutero terá que ressuscitar pra resolver esse problema, 2ª os líderes da igreja de hoje se despertarão para realizar a Obra do Senhor sem usurpação. O que é mais lógico? Como a 1ª opção não vai acontecer e a 2ª são poucos os que se salvam, que os “Luteros” do século XXI se levantem, e que se encham de esperança em ver uma igreja firmada somente em uma Escritura, tendo Fé somente no Senhor, reconhecendo o senhorio de Cristo, desfrutando da maravilhosa Graça de Jesus e rendendo Glórias somente a Deus.

Fabiano Rocha

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Músicos sem graça

Uma preocupação que tem se acentuado em minha mente é em relação ao crescimento técnico do músico cristão. No dia a dia do serviço na igreja, às vezes me surpreendo com um amadorismo extremo de algumas pessoas envolvidas com a música, com o culto, mas, isso se resolve com um suporte técnico, com dicas, palestras, seminários, workshop, reciclagem, enfim, possibilidades de aperfeiçoamento.

Mas, quando se trata da saúde espiritual desse músico, o que fazer? Alguns optam por uma classe na EBD exclusiva para este rebanho seleto de pessoas (digo isso pelo fato de terem uma classe só para músicos, isso os torna seletos). Creio que isso não resolve, afinal, o conteúdo espiritual que o “restante” do rebanho recebe, deve servir de igual forma para os músicos. O Deus que fala para os não-músicos é o mesmo Deus que fala aos músicos. A mensagem é a mesma, o caminho é o mesmo, a graça foi derramada de igual forma.

Será que todos os músicos entendem dessa forma? Ou pensam que terão um céu exclusivo para eles? Participei de um grande evento para músicos cristãos há poucos meses atrás, e fiquei impressionado com os grupos “seletos” que pude observar durante aqueles dias. Músicos, ministros que só pelo fato de estarem em grandes igrejas e, até mesmo desenvolvendo grandes ministérios, refletem a soberba e o orgulho por onde passam.

O que há de errado com esses músicos? Será que eles conhecem de fato o Deus que eles servem? Jesus nunca agiu assim. O que mais me causa indignação é que isso tudo é um reflexo de uma vida espiritual vazia; uma espiritualidade rala, raquítica e sem profundidade.

Existem muitos profissionais do culto. Um fenômeno que tem se tornado comum nos arraiais eclesiásticos são os chamados músicos freelancers, músicos sem compromisso com a igreja; principalmente músicos de orquestras. “Preciso de um clarinetista!”, basta um telefonema e problema resolvido. E a vida espiritual desse músico? Ele tem tido comunhão com a igreja dele? Sua vida de testemunho tem sido de acordo com a palavra? Ou faz anos que ele não aparece na igreja dele? Bebe e fuma à vontade, passa a noite na boate; às vezes nem crente o indivíduo é mais, mas, no domingo, lá está ele, todo santinho tocando na igreja. Que situação sem graça! Que músico sem graça!

Ouvi de um professor certa vez de que o ministério de música na igreja está em decadência; talvez ele até tenha razão, a qualidade musical está em baixa, o canto congregacional nunca foi tão pobre teologicamente, a mediocridade tem se alastrado com facilidade, a falta de compromisso é gritante, o volume dos instrumentos é ensurdecedor, mas, muitos ministérios estão em decadência porque seus líderes e membros já decaíram. A falta de envolvimento com as Escrituras provoca isso; a falta de vida devocional causa isso; a falta de coração/servo faz com que vidas entrem em decadência espiritual.

Os músicos precisam da graça de Jesus em suas vidas, assim como os não-músicos também precisam. Músicos de igreja acima de tudo precisam ser servos, precisam ter o coração na obra, precisam testemunhar de Jesus. Só é testemunha aquele que conhece e convive de perto. Como poderei falar da graça do Pai se ainda não participo desta graça? Como posso cantar que há Vida em Jesus se ainda essa Vida não é real em minha vida?
Fabiano Rocha

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Perigo (pecado) da Mediocridade - Mateus 25.14 a 30

Se eu perguntasse a você quais os três pecados mais terríveis que um ser humano pode cometer, o que você responderia? Eu acredito que ninguém responderia o pecado da MEDIOCRIDADE. Jesus contou a história de alguém medíocre, alguém que não foi bem sucedido no todo da vida.

A mediocridade carrega em sua essência a apatia, o desinteresse, à falta de reconhecimento. No trabalho a pessoa não procura ser o melhor. Nos estudos ela não procura ser o melhor. Vive uma vida empurrada com a barriga. Existe muita gente medíocre dentro da igreja. Existem muitos músicos cristãos medíocres.

O dia a dia do músico de igreja se parece com a época dos vestibulares; alguns estudam; estes passam. Outros não estudam e passam também. Infelizmente em muitas igrejas, o esquema funciona parecido. Os que ensaiam tocam/cantam e os que não ensaiam também tocam/cantam. Há outros que vão para o “serviço” do culto esperando um golpe de sorte: “Se Deus quiser vai dar certo; é pra Ele. Ele há de nos abençoar”.

Jesus termina sua parábola dizendo que os medíocres serão lançados fora; no inferno. Que trágico! Mas, é real, é a palavra do Senhor.

Há algumas possíveis razões pelas quais os músicos cristãos não desenvolvem seu talento, ou, praticam a mediocridade. Talvez por sentirem medo se envolver. Às vezes as coisas espirituais causam medo nas pessoas. Deus assusta algumas pessoas. Deus é Santo; o Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas e controlador de todo o universo. Deus não é uma projeção de uma pessoa boa, Ele está além do nosso conhecimento e entendimento. Nós não conhecemos a Deus em sua plenitude. Há um mistério que cerca Deus. Santo significa separado, além do limite da nossa imaginação e cogitação.

Existe um medo não declarado de se alcançar a santidade, pois, isso requer certo afastamento de coisas que julgamos prazerosas. Muitos talentos estão imobilizados pelo medo. Medo de se envolver com o Senhor e com coisas relacionadas ao Senhor, por isso, muitos preferem enterrar esse talento ao invés de desenvolvê-lo.

Outros se sentem amargurados e prejudicados. Você consegue ouvir a reclamação do sujeito no texto bíblico? “Senhor! Um ganhou cinco talentos, outro dois eu só ganhei unzinho, só um!”. Quantos vivem reclamando do seu talento. Vivem comparando o seu presente dado por Deus com os de outras pessoas. “Fulano de tal toca melhor – Ah! Ela alcança mais notas do que eu!”. A sensação é que essas pessoas estão na lista negra de Deus. Parece que Deus não está abençoando essas pessoas como faz com outras pessoas.

Estas são características de pessoas medíocres. Os que praticam a mediocridade não procuram fazer o melhor, mas, faz o que é mais fácil, mais prático, o que geralmente vem pronto em suas mãos. Dentro da igreja, isso é um pecado. Ai daqueles que realizam a obra do Senhor relaxadamente, estes são chamados de medíocres pelo Senhor.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Depressão Espiritual - Filipenses 4

Martin Lloyd-Jones, estudou medicina, mas se realizou não como médico, mas como teólogo, foi por muitos anos capelão da rainha da Inglaterra e um dos maiores expositores bíblicos do século passado; escreveu vários livros; um deles com o título “Depressão Espiritual”, folhando esse livro, não encontrei nenhuma referência a Filipenses capítulo 4, pois, um dos textos bíblicos que melhor nos fala sobre depressão espiritual é o livro de Filipenses, especialmente o capitulo 4.

Espera-se que a vida cristã/espiritual seja dinâmica, alegre, vibrante, vitoriosa. Pelo menos é isso que as igrejas abarrotadas de gente têm pregado. Mas, no fundo, muitos desses crentes estão espiritualmente deprimidos, estão de certa forma decepcionados com a vida cristã.

Há cultos em que os sentimentos/emoções das pessoas são manipulados; onde se cobra uma resposta de alegria de pessoas que na verdade não estão alegres. Cantamos: “Um sorriso nos lábios...” aí botamos um sorriso artificial; e agora com bastante barulho! Quanto mais barulho melhor! E às vezes as pessoas até chegam a um estado de chilique emocional, mas, quando saem dali ficam como “Dantes no quartel de Abrantes”, tudo do mesmo jeito que estava antes.

Às vezes eu entendo que nossos cultos são para os que vivem felizes e alegres; para os prósperos, para aqueles que possuem uma vida perfeita, aquele vida que qualquer um pede pra Deus, uma vida com muita saúde e muito dinheiro, porque “a igreja é lugar de celebração, de alegria, de gente que vive bem, de pessoas saudáveis espiritualmente e emocionalmente”.

Que responsabilidade temos em nossas mão quando elaboramos “nossas” ordens de cultos.Será que a liturgia dos nossos cultos estão atendendo as necessidades dessas pessoas? Ou Elas entram ruins e saem piores?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O "Sagrado"

Eu sei que esse é um assunto muito (mal) falado, (mal) discutido, que causa exaustão; mas, hoje, durante uma aula de hinódia, onde discutimos o ponto de vista de Calvino, em relação a música da igreja, a música sacra, a música separada, a música sagrada, alguns questionamentos começaram a ser levantados. Um deles, que mais me chamou a atenção foi sobre contextualização; a igreja precisa ser contextualizada.

Um dos exemplos narrados foi de uma igreja, situada em um morro carioca, ou ao pé de um morro, onde sua liturgia é chamada de “tradicional”, são mais de 100 anos de história; podemos dizer que essa igreja já tem sua “cultura musical” estabelecida; uma cultura que deve ser respeitada. Pode ser que seja uma cultura herdada dos ingleses, americanos ou até mesmo brasileiros, mas, essa cultura deve ser preservada.

Uma linguagem cultural/musical que perdura por mais de 100 anos, ou até menos, 40, 50 anos, torna-se “sagrada” para a grande maioria dos fiéis.

A grande questão, o que eu realmente não entendo é a luta de alguns pastores e ministros de música que são capazes até mesmo de venderem suas almas ao diabo, pra mudar a realidade dessas igrejas. Tudo em nome do que eles chamam de “contemporâneo”. Hoje, um termo que tem me causado embrulho no estômago, quando discutido com pessoas com pontos de vista sem profundidade. O simples fato de se mudar o ritmo dos hinos é se tornar contemporâneo? Acho que não. Mas, o que mais me deixa estupefato, é que alguns líderes usam de desculpa aquela antiga idéia: Precisamos atrair os adolescentes, os jovens! Fazemos o que for necessário! Isso me lembra as Cruzadas. Matava-se em nome de Deus. É o que falta: levar os velhinhos pra dentro de uma sala e gás mortal neles. Agora eu pergunto: A grande maioria dos contribuintes fiéis são os adolescentes e jovens ou os de meia idade e de terceira idade ou quarta idade?
A verdade é que esses líderes estão jogando na rua, pelas janelas aqueles que sustentam financeiramente o andamento dos trabalhos da igreja; isso tudo dizem eles em nome de Deus! Em nome do “contemporâneo”.

O “contemporâneo” tem se tornado um deus para alguns pastores e músicos; um deus porque ele tem se tornado “sagrado” nos cultos dominicais. Tudo deve ter ritmo contemporâneo, se não tem, não serve pro culto.

Essa história de mudar o ritmo dos hinos pra mim é uma furada; é musico incompetente, sem criatividade, musico que não sabe compor, não entende de música. Ora meu amigo musico, quer tocar um jazz? Componha! Mãos à obra; não fique mudando o que já se tornou “sagrado” pra muitas pessoas.

Precisamos aprender a respeitar. Precisamos aprender a valorizar. Não podemos passar por cima de todos e de tudo por causa de um gosto pessoal, em nome de um deus (contemporâneo) que está se tornando “sagrado” em nosso meio.
Fabiano Rocha

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Daremos ao povo o que eles querem

Quando leio sobre a história da crucificação, um personagem que me chama muito a atenção é Pôncio Pilatos. Contraditório, indeciso, político, juiz; condenou Cristo a cruz embora tendo dito: “Não acho nele nenhum crime...”. Creio que a morte de Cristo seguiu o percurso divino e que Pilatos estava desde o início dos tempos predestinado para ordenar a crucificação.

Quando paro pra refletir sobre minha vida e ministério, às vezes também me encontro como um Pilatos: contraditório, indeciso, político e juiz. Mas, será que de vez em quando, ou quase sempre não é bom nos revestirmos de Pilatos? Estamos lidando com o povo, e o povo está constantemente gritando e fazendo suas reivindicações: Queremos isso, queremos aquilo, queremos ouvir isso, queremos ouvir aquilo, queremos cantar isso, queremos cantar aquilo!

Eles (o povo) precisavam de Cristo, mas clamavam por Barrabás. Pilatos lhes deu o que eles queriam não o que precisavam. Meu serviço na igreja é musical, mas, não me detenho apenas no musical, procuro observar a igreja como um todo. Quando digo “a igreja” não estou me referindo à igreja que sou membro ou à igreja que sou seminarista, me refiro a IGREJA de um modo geral. O que estamos dando pra esse povo? Estamos dando o que eles querem ouvir!

Eles querem ouvir que somos FILHOS DO REI! Que somos príncipes e princesas, que pertencemos a mais alta nobreza sobre a face da terra. Eles querem ouvir que nos tornaremos RICOS se formos fiéis a Deus! Ora, que não quer ouvir uma coisa dessa. Quem não quer crer que se dermos pra Deus mil reais ele vai nos dar de volta vinte mil e então teremos a chance de nos tornarmos sócios de Deus? Quem não quer ouvir que os crentes são as pessoas mais felizes, mais ricas e mais saudáveis deste mundo! E isso ser dito por um homem de Deus em nome de Deus!

Infelizmente muitas músicas cantadas em nossas igrejas carregam esse tipo de teologia; uma teologia medíocre, pobre, oca, vazia, sem nenhuma profundidade. Mas, isso não importa, daremos ao povo o que eles querem cantar, ainda que o que eles querem cantar seja um lixo musical e teológico. Tenho me preocupado semanalmente com o que a igreja está cantando, estão cantando o que realmente precisam cantar ou estão cantando o que eles gostam de cantar. Estão cantando que são RICOS do ponto de vista de Deus ou do ponto de vista deste mundo?

Cristo, no livro do Apocalipse disse à igreja de Ismirna que eles eram pobres, mas eram RICOS, pois, possuíam um Salvador; possuíam convicções profundas a cerca desse Salvador; possuíam uma herança guardada no céu onde a tribulação não poderia tocar e, possuíam vida eterna, por isso eles eram RICOS. Em seu primeiro sermão público, Jesus disse que nós somos muito felizes!

Feliz são os que choram... Felizes são os pobres de espírito... Felizes são os que sofrem perseguições. Nestes dias de eleições que estamos vivendo, tenho observado muitos crentes desesperados, apavorados... “se o partido tal ganhar estamos perdidos!”, “se o fulano de tal for eleito, os programas religiosos na televisão vão acabar!”, “se o (a) presidente de tal ganhar, ele (a) vai aprovar a lei tal!” E daí? O que isso vai mudar pra mim como crente em Jesus Cristo? As minhas convicções serão abaladas? Jesus nos garantiu dias de paz enquanto vivermos neste mundo? Não! Ele disse que nós seriamos muito felizes quando formos perseguidos.

Nós, que somos ministros do Senhor, que trabalhamos na igreja do Senhor, temos que ter todo o cuidado com o que entregamos para o povo cantar, ainda que às vezes aqueles pensamentos medíocres e pobres nos vêem a mente “vamos dar a eles o que eles querem”. Nosso papel e de, através da música (teologicamente correta) conduzir a igreja à adoração ao Senhor, e de ser ponte; nesse aspecto eu diria que devemos ser como Pôncio Pilatos, pois, o significado de Pôncio deriva de ponte, algo que concilia.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Estou me cansando...


Quando me perguntam por que não escrevo mais, respondo que não gosto de escrever; gosto muito de falar; prefiro conversar, mas, quando não existem mais oportunidades para a fala, pois, aqueles com quem eu converso já não compreendem mais minhas palavras, ou estão tão alienados a pensamentos e falas limitadas e sem profundidade, sou obrigado a recorrer à escrita. Mas o que seriam palavras limitadas e sem profundidade? Um ótimo exemplo me ocorreu domingos atrás, uma irmã, aliás, não vou chama - lá de irmã, pois nem a conheço direito, não é membro da igreja, e chamar alguém de irmão é muito comprometedor; enfim, essa pessoa chegou na “roda da conversa”, e é claro, estávamos conversando sobre o culto que havíamos acabado de prestar a cerca de 10 minutos atrás e, sem ninguém perguntar nada, ela disse: a música foi ótima, a direção do culto foi legal, etc, mas, havia apenas um detalhe que estava fora dos padrões, (olhando para mim) você usava gravata! Esse detalhe deixava o ambiente muito, muito sério. Eu simplesmente saí aos poucos da conversa e deixei aquela pessoa estabelecendo suas opiniões e padrões de como deveria ser o culto que a agradava mais.
Às vezes isso cansa! Não suporto mais ouvir coisas como essa; perder cinco minutos preciosos da minha vida para dar atenção a uma pessoa dizendo qual é a melhor e mais correta maneira de eu me vestir.
Quando digo que estou me cansando, não estou dizendo que estou sem esperança; tenho ainda esperança; esperança em ver a igreja cantando canções biblicamente corretas e seus músicos usando corretamente seus instrumentos, honrando o Senhor com seus dons e talentos; tenho ainda esperança em ver pregadores fiéis à Palavra da Verdade, mas, aquelas conversinhas informais que sempre acontecem nos corredores e no pátio das igrejas, alguns chamam de rádio corredor, eu chamaria de rádio do inimigo, pois, está comprovado que o que mais causa confusões e desentendimentos nas igrejas são as conversinhas informais. Isso sim me levam ao cansaço.
Infelizmente, sempre caímos na grande besteira de nos perguntarmos: será que o culto está agradando as pessoas? Será que a maneira que nos vestimos está agradando? Será que as músicas estão agradando? Será que a mensagem está agradando? Será que meu trabalho está agradando? Será que tudo isso está correspondendo aos padrões das pessoas?
Tenho refletido há muito tempo com relação a isso tudo, e tenho tomado decisões, que certamente mudarão o rumo e visão do meu ministério, não posso perder meu tempo preocupado com essas questões; devo sim, me preocupar se o culto está agradando a Deus. Devo me preocupar se a maneira de como me visto está honrando ao meu Deus, ou está desonrando seu nome. Devo me preocupar com a mensagem que cada música passa para a igreja, são mensagens corretas? Ou são vans repetições, vazias, ocas e sem profundidade?
Minha primeira crise teológica/eclesiástica foi com 16 anos; comecei a me perguntar como deveria ser o culto que agrada ao Senhor. Quais músicas devem ser cantadas, quais instrumentos são mais apropriados para o culto? Como devem estar vestidas as pessoas para o culto coletivo? Como este culto deveria ser conduzido? Quando leio João 4, e imagino a cena de Jesus e a mulher samaritana, penso que aquela mulher estava vivendo uma crise parecida; onde se deveria cultuar a Deus? E Jesus olhando pra ela diz que o culto que agrada a Deus não é aquele que é prestado dentro de um templo, ou na rua, ou no monte tal, no lugar tal, com a roupa tal, no horário tal; mas, o culto que agrada a Deus é aquele que é prestado em espírito e em verdade; onde existe um coração puro e quebrantado, o Senhor desvia o seu olhar pra esse coração e recebe daquele adorador o culto.
Às vezes nos colocamos diante de Deus para a prestação de culto preocupados com detalhes que não fazem muita diferença e, às vezes, detalhes desnecessários. Esquecemos da essência do culto; não podemos esperar que o culto tenha sido abençoado porque nos emocional, o culto nos levou a lágrimas, arrepiou; o culto é abençoado porque Deus está presente, cuidando de nós, recebendo adoração.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DEIXEM-NOS ADORAR!!!



Há algum tempo, este foi o título de uma pastoral em um boletim dominical; feita em uma ocasião em que os membros da igreja talvez não estavam compreendendo como deveriam ser suas atitudes nos momentos de cultos. O pastor, dizia que as pessoas, suas ovelhas, o estavam atrapalhando no momento de culto. Entravam e saiam do santuário a todo o momento; conversas paralelas; o pessoal do “fundão” rindo de tudo o que estava acontecendo, as crianças com seus brinquedos e lanchinhos fazendo a festa. DEIXEM-ME ADORAR! Parecia mais um grito de socorro daquele pastor. Hoje, Também estou gritando: DEIXEM-ME ADORAR! Mas, não adianta; nem gritando podem me ouvir!
Sinto-me com 150 anos quando me pego perguntando: Porque a maioria dos instrumentistas preferem um volume mais alto que o normal? Minha preocupação é com meu ouvido, do jeito que estão às coisas, com quarenta anos estarei surdo! Um volume agradável é a primeira atitude em que uma pessoa que se diz músico deve ter ao transmitir as outras pessoas o seu “som”; espera-se de um musicista um senso mínimo de sensibilidade. E nós, músicos cristãos, não estamos transmitindo uma mensagem qualquer, estamos transmitindo uma mensagem salvadora e transformadora. Ao invés disso, deixamos os crentes, sem contar os vizinhos, estressados e impacientes, pois, ficam orando para o culto terminar logo, pois, o barulho é insuportável, e cada minuto a mais parece ser uma eternidade.
Aumentar o volume é uma estratégia de músicos imaturos pra aumentar a energia do ambiente; mas, nem sempre a iniciativa de aumentar o volume parte do músico, em alguns casos parte de seus superiores, ministros de música, líderes de adoração e pastores. “Vamos tocar mais alto, os irmãos estão muito desanimados”. Pra muitos, tocar animado, brilhante, alegre, é tocar alto. Domingo após domingo, presenciamos os absurdos métodos de som utilizados para compensar a falta de talento. Se existe alguém que tem direito de tocar alto, é aquele que toca muito bem, mas, geralmente quem toca muito bem, sabe que tocar alto não agrada a ninguém, nem a si próprio. Além de tudo, devemos considerar que podemos estar excluindo as pessoas; não só os idosos, pois, dizem por ai que volume alto incomoda apenas os idosos, isso não é verdade. Uma vez passei na porta de uma igreja, e, pensei que o “Guns N’ Roses” estivesse tocando na igreja; era muito alto; depois que a polícia (em resposta ao telefonema do vizinho da igreja) chega, os crentes começam a dizer que é coisa do diabo, é perseguição contra a igreja.

Um outro problema sério que acaba desencadeando diversas situações é a afinação; vamos dizer a verdade, a maioria dos cantores e instrumentistas não estão próximos de uma afinação correta, se é que posso dizer assim; além de tocarem alto, tocam desafinado. Certa ocasião fui desafiado pelo irmão baterista a tocar bem alto ao acompanhar o irmão fulano (solo), pois, ele é “meio desafinado”, “temos que encobrir a voz dele”. Outro episódio muito interessante eu presenciei há alguns anos atrás e sempre que lembro acho muito engraçado. Domingo de manhã, o irmão da guitarra chega para o irmão do baixo e diz: Já afinou seu baixo? Não! Não precisa, eu afinei na quarta-feira.
Em um de seus sermões, o pastor da minha igreja de estágio disse algo muito interessante: “Aqueles que fazem as coisas do Senhor de qualquer maneira, transparecem uma vida sem leitura da palavra, sem oração, sem vida devocional diante de Deus". Existe um quadro de irresponsabilidade muito grande da parte dos músicos cristãos, chegar no horário de ensaios e cultos hoje em dia é uma grande utopia para os seus líderes, isso quando os próprios líderes são os atrasados. A falta de zelo tem assolado implacavelmente os coros, bandas, conjuntos, etc. Existe um celebre frase muito proferida por nós, músicos da igreja: “O ministério de música é a área da igreja mais atacada por satanás”, posso estar errado, mas, isso acontece porque permitimos, estamos preocupados demais com a nossa performance e acabamos esquecendo de que precisamos além de um bom conhecimento técnico, acima de tudo, precisamos cultivar uma vida devocional baseada na palavra de Deus.
Será que a maioria dos músicos de uma banda/equipe de louvor/equipe instrumental percebem que estão tocando em conjunto? Já observei vários grupos instrumentais, e, na maioria deles, todos eram solistas ao mesmo tempo; isso é falta de musicalidade. John G. Stackhouse Jr, em um artigo enfatiza o desenvolvimento da música na Palestina, “uma música requintada e adornada para os cantores comuns”. Então os cristãos iam à igreja para ouvir um padre e um coral. Lutero, o grande reformador, tirou a música sacra dos profissionais e a devolveu a igreja. Suas composições, entre elas o Grande Hino “Castelo Forte é O Nosso Deus”, foram baseadas em melodias populares. (inclusive melodias tocadas em bares). Infelizmente hoje, grande parte das composições que cantamos, podemos observar a falta de arte e, infelizmente, falta de palavra; não passam de vans repetições que, acabamos chamando de adoração contemporânea; as letras fazem promessas em nome de Deus, “hoje o meu milagre vai chegar”.
Para concluir, é inaceitável o duelo-dominical que é travado entre uma banda de cinco componentes e uma congregação de centenas de pessoas. Como sempre, a banda vence; são raros os momentos em que se pode ouvir o tão exprimido “canto congregacional”. De vez em quando é bom ouvirmos Giovanni Pierluigi da Palestrina; e um bom rock cristão também; precisamos sempre apresentar um boa música, com qualidade musical e qualidade de letra. É uma questão de respeito com a congregação e consigo mesmo. Devemos levar congregação a cantar. Precisamos promover a reconciliação entre os instrumentistas e a congregação, esta luta não pode continuar, o povo esta clamando: “DEIXEM-NOS ADORAR”.